domingo, 28 de novembro de 2010

- completamente sem amor;

I wish it's yours.

eu estou deitada sozinha com minha cabeça sobre o telefone pensando em você até me machucar. eu sei que você está machucado também, mas o que mais nós podemos fazer atormentados e assim aos pedaços?

eu gostaria de poder carregar seu sorriso no meu coração para as horas em que minha vida parece tão triste. isto me faria acreditar no que o futuro nos reserva, pois no presente não se sabe, não se sabe.
eu estou completamente sem amor, estou tão perdido sem você. eu sei que você estava certo, acreditando por tanto tempo. eu estou completamente sem amor, o que sou eu sem você? não é possivel que seja tarde demais para eu dizer que estava tão errada.

eu quero que você volte e me leve para casa, para longe destas longas noites solitárias. estou tentando te alcançar, você está sentindo também? será que o sentimento parece tão certo?

e o que você diria se eu telefonasse agora e dissesse que eu não posso esperar? não está nada fácil e fica mais difícil a cada dia. por favor me ame ou vou morrer, vou morrer.

(air supply - out of love)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [4];

já não me quer? tudo bem. basta que eu te olhe, nem chego perto, no outro lado da mesa. cafetina de corações solitários. ó estripadora de alminhas líricas. vendo o teu desprezo pode ser que ganhe coragem e força. com as mãos arranco o próprio coração pelas costas.

meus ossos já se desmancham, deixo cair garfo e xícara, puxo da perna esquerda. me repito, eu? pudera, no ouvido esse bando de baitacas gritando sangue, me acuda, inferno, eu morro. dá um tempo cara.

não assim, não pra sempre: o fim do mundo às duas e quinze da tarde. em vez da rtombeta e a explosão de uma voz alegre no telefone publico. tudo bem, sinto muito, desculpa e obrigadinha. sente muito, você, a maior das assassinas?

tudo bem pô nenhuma. não tem obrigadinha. não tem desculpa. quero você inteirinha de volta. orgulho já não tenho. merda pro orgulho. a paz dos cabelos brancos, até essa me deixou. entre você e o amor próprio escolho você.

entre a dignidade e a abjeção com você, escolho a abjeção. só peço pelo último encontro, duas palavrinhas.

por você eu morro todo dia. pelo teu amor sou morto a cada hora. deixa te ver, sua maldita, uma vezinha só. ai, por favor. minha santinha querida. por favor.

(dalton trevisan)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [3];

machão, eu? o mais reles dos ratos piolhentos do amor. sem honra, nem palavra, por mim não respondo, todo me ofereço à vergonha da humilhação.

lembra da aranha? você cortou com a tesoura as oito patas, cada uma ainda quis andar sozinha... e se distraiu ao vê-la desfinhar o ventre, o recheio verde. essa aranha roxa, alí no piso branco, sou eu. mudo me retorcendo de tanta dor.

delicada, eu um sem braço nem perna, debaixo do teu sapatinho prateado? o meu desespero, goze à vontade. tudo menos oi, querido, acabou o nosso caso. pô que acabou!

e eu, ô cara? sem você, o que será de mim, já pensou? não tem nenhuma peninha? eu morro, sua puta. por você eu grito três dias sem parar. me dá um tempo. qual é a tua, cara? como pode, até ontem me amava e hoje tudo acabado?

e os teus bilhetes de juras eternas, as letras borradas de fingidas lágrimas? a isso chama de amor? me beija na boca e no mesmo suspiro me acerta o ferrão de fogo. tudo eu aceito, só não me deixe. aqui na maior desgraça.

não ouve meu soluço e rasgar de dentes? me dá um tempo, cara. um mês, uma semana, um diazinho só.
[...]

(dalton trevisan)

domingo, 21 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [2];

tudo bem, uma merda. tudo mal, nunca esteve pior, desde a hora do famoso recado. assim acaba o amor jurado de um ano inteirinho? de um telefone publico, entre zumbidos e vozes, desculpa querido, não posso falar, tem gente esperando.

nem a consideração do falso olho azul na cara. e se caio duro e mortinho ao ouvir a sentença de morte? te dispensava de assistir à execução, o tiro de misericórdia na nuca. misericódia, pô nenhuma! sabe lá o que é, cara?

egoísta e pérfida, só uma bandida capaz de oi, tudo bem (e no mesmo fôlego, de certo sorrindo o tempo inteiro), tudo acabou querido, é o fim, não me procure mais, se me vir na rua (nos braços de outro?) finja que nunca me conheceu, assim a gente não sofre. não sofre, a gente, pô?

fale por você, sua cadela. e a mão suada e fria? e a lingua no sal? o vidro moído das entranhas? a tremedeira do pé torto? aqui estava numa boa, de repente o bruto murro na cara, espirra olho, sangue do nariz, caco de dente e tudo bem querido?

minha única fonte de alegria agora de todas as dores e aflições? você, meu cálice de vinagre e fel, a broinha de cinza fria? dá um tempo ô cara. isso não se faz. não é assim que um amor acaba. com tiro na nuca, a volta do parafuso nas costas, o soco na cara.
[...]

(dalton trevisan)

sábado, 20 de novembro de 2010

- tudo bem, querida [1];

ah é? você me liga: oi, tudo bem? estou terminando. entre nós, sim, tudo acabado. espero que sejamos amigos. que história é essa, cara? acabou pô nenhuma! um longo ano de paixão e loucura, e de repende oi, tudo bem, o fim de tudo?

pra mim nada acabou, ô louca! só do teu pouco juízo pra ser tão cruel. ingrata e desgracida. oco no peito, ninho de peludas viúvas negras. ainda ontem, nua e perdida nos meus braços, o teu grande, eterno, único amor. e hoje: oi querido, tudo acabou. corta essa, cara!

dó, não sabe o que é? em perdão, nunca ouviu falar? nem aviso, nem nada? é o fim, tudo acabou, o coração esfolado vivo com navalha sem fio. o amor doido de um ano se acaba com um tiro na nuca.

na hora fui machão. tudo bem, se é o que você quer. claro, ainda amigos, seja feliz. assim que você desliga, mãezinha do céu, o olho cegou, a língua enrolou, a perna falhou, o meu nome esqueci. que tudo be, que nada. pô nenhuma!

aqui estou plantado de quatro, ganindo para a lua vermelha dos amantes desprezados. nada acabou, meu amor que era grande ficou maior, transborda do meu peito, sai pela janela, explode a cidade em sarças ardentes, uivos de dor, borboletas amarelas.

durão sim, ás duas da tarde de sol. nunquinha que ás três da noite escura da alma, eu, a última das baratas leprosas. agonizante na velha cama, o colchão furadinho de agulhas de gelo, travesseiro de penas e brasas vivas.

única imagem, você perdida e nua nos meus braços. única idéia: nua e perdida nos braços de outro. atropelo uma prece entre berros de um ódio que espuma. e o maldito pernilongo da insônia, oi querido, tudo bem? me enfiando a faca no coração, ainda me chama de querido. no peito, não, revolve a ponta fininha nas costas, assim dói mais.
[...]

(dalton trevisan)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

- love song for no one;

staying home alone on a friday,
flat on the floor looking back on old love or lack thereof. [...]

- john mayer.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

- até o final;

no começo eu tentava te fazer me amar, mas agora estamos juntos e posso confessar:
eu não gosto de cinema, eu não sei cozinhar. nunca fui tão romântica, jurei nunca casar. a carta que mandei não fui eu que escrevi e o poema que te recitei num livro eu li. não sou boa de futebol e por você já chorei, mas é de verdade, estou te amando e me apaixonei.

o doce do seu beijo enfeitiçou meu coração. vivo noite e dia numa nuvem de paixão. nunca vou te fazer sofrer, não quero seu mal. vem meu anjo, sigo com você até o final. até o final!

eu já chorei sozinha quando a gente brigou e confesso sou ciumenta e sempre escondo minha dor. as datas importantes vivo sempre a esquecer. machuquei muitos homens procurando você.
(até o final - fernando e sorocaba)
- óbvio que modifiquei a letra pra ficar mais bonita para você.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

- sorry to myself;

o que fazer quando seu pior inimigo é você?

talvez um dia, quem sabe, eu seja capaz de me perdoar por todo o mal que me fiz.
por todas as vezes que não me respeitei. por todas as vezes que eu menti pra mim.
talvez eu tenha mais mágoas de mim, do que das outras pessoas que passaram pela minha vida.

e dizem que se perdoar está ligado com a nossa capacidade de se amar e se aceitar. seria isso verdade?

--

For hearing all my doubts so selectively and
for continuing my numbing love endlessly.
For helping you and, myself not even considering.
For beating myself up and overfunctioning.

To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueler than I’ve been to me.

For letting you decide if I indeed was desirable.
For myself love being so embarassingly conditional.
And for denying myself to somehow make us compatible and
for trying to fit a rectangle into a ball.

[...]
And I’m sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else.
I’m sorry to myself, for treating me worse than I would anybody else.


[...]
For ignoring you: my highest voices.
For smiling when my strife was all too obvious.
For being so disassociated from my body,
and for not letting go when it would’ve been the kindest thing.
(Sorry to myself - Alanis M.)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

- do you think we'll make it?

Run, running all the time.
Running to the future with you right by my side.

Me, I'm the one you chose.
Out of all the people, you wanted me the most.

And I'm so sorry that I've fallen.
Help me up, let's keep on running.
Don't let me fall out of love.


Running, running as fast as we can.
I really hope we make it. Do you think we'll make it?
We're running, keep holding my hand so we don't get separated.

Be the one I need.
Be the one I trust most.
Don't stop inspiring me.


Sometimes it's hard to keep on running.
We work so much to keep it going.
Don't make me want to give up
(No Doubt)


- We'll make it, right @finatto?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

- eu vou me virar;

olhos que me vigiam e do espelho me observam. olhos às vezes um pouco severos, que me escaneiam para entender o quanto existe de diferente entre mim e o reflexo. como se através rosto e dos cabelos fosse fácil intuir se naquele reflexo ainda sou eu, se cada pequeno detalhe naquele rosto é realmente meu. e se eu conseguirei a cada dia enfrentar tudo, tudo aquilo que vier.

o silêncio ás vezes é pior que o barulho, que pelo menos disfarça os sussuros das ideias que vem de noite e sufocam e martelam minha mente. e assim fazem parece difícil até aquilo que não é, e fazem parecer enormas até as coisas mínimas. e assim eu olho você que está dormindo do meu lado e penso que os milagres ás vezes acontecem.

e eu vou me virar, do mesmo jeito que eu sempre fiz, mesmo com as pernas cansadas. e depois eu vou me levantar dolorido, mas não destruído. basta só uma semana na cama e tudo volta ao normal. certo que existirão noites em que lágrimas cairão, existirão noites em que eu pensarei em desistir, mas depois, com a sua ajuda tudo vai passar. sem eu me dar conta, tudo passará.
(me la caverò - max pezzali)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

- barco furado;


Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também.

- Caio Fernando Abreu