sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

- 2009.

- Similar Realidade

Um tempo atrás fui à Siciliano comprar uns livros e a vendedora tentou me empurrar um livro chamado Crepúsculo, mas naquele momento, tinha outras prioridades literárias.
Agora, como o tempo me sobra, tanto sobra que me sinto mortalmente entediada, resolvi comprar o Crepúsculo. Na realidade, naquela época eu nem sabia qual era a história, depois que me contaram que era sobre vampiros e tal, eu me senti um pouco mais interessada. Meu lado sombrio sempre foi atraído por vampiros sedutores, no estilo típico de Lestat.
Bem, a autora realmente é MUITO boa. Li ele em 2 dias, logo comprei o Lua Nova, que li em mais 2 dias... E que por sinal chorei horrores. Acho que muitas pessoas que já foram “ deixadas” se sentem familiarizadas com as palavras que traduzem tal sentimento no livro. Aí, comprei o Eclipse e, para variar, 2 dias me ocupei dele. Agora tento me ocupar em ler o Amanhecer no computador...
Geralmente, os livros que me prendem, são os que têm alguma familiaridade comigo, minha vida, meu presente ou mesmo meu passado. Este não foi diferente.
Uma realidade inversa do livro. A Bella fica com o Lobisomem. O Vampiro é aquele que mexe com ela simplesmente pelo olhar. Ele é inteligente, racional, calmo e sombrio, no entanto, extremamente sedutor e intimidador. O Lobisomem é aquele quente, impulsivo, inconseqüente, explosivo e divertido, no entanto, extremamente apaixonante. Complicado, né?
Lobisomem e Vampiro. São dois extremos. Quente, frio. Irracional, racional. Dúvida, certeza. Paixão, amor.
Hoje, eu entendo perfeitamente quando alguém me diz que não é o tempo que marca, e sim a intensidade do sentimento. Bem nostálgico. E ninguém mesmo por curar “os buracos do meu coração”. Nem preciso. Não doem mais. Ou melhor, como diz a Bella, dói, mas quando alguém mexe neles. Este livro contribuiu para o serviço.

“(...) Não parecia que a dor tivesse diminuído com o tempo; na verdade, eu é que ficara forte o bastante para suportá-la.”¹

“O amor pode dar às pessoas o poder de despedaçar você.”¹


Na maioria das vezes as pessoas acham que o FIM, seja de um namoro, de um casamento ou de uma amizade, é sempre mais traumático, é sempre o que deixa marcas. Mas nem sempre é. Talvez, um abandono, um sumiço inexplicável, uma ausência sempre presente deixa marcas mais profundas. Cria estes “buracos” que, putz, doem! Doem tanto pela falta, como pela incapacidade que a pessoa sente, como também pela incerteza deixada. Quando um relacionamento chega ao fim, a pessoa sabe que tentou e que não deu. Mas, e quando ele não chega ao fim? Mesmo porque ele nem teve um meio ou um fim. Pior. Ele não havia tido nem um início.
É quase exatamente como é descrito no Lua Nova. A gente vira um zumbi. Uma pessoa que existe no mundo, embora não exatamente “viva”. Isso é... um estado deplorável.
Pode ser que, se a pessoa causadora do “buraco” souber exatamente a dor causada, se sinta igualmente ao Edward. Seria tarde demais?
Não somos vampiros. Não temos a eternidade para tapar os buracos. Temos um simples e curto espaço de tempo em que chamamos de vida e que fazemos o possível para que seja menos “esburacada”.
Exatamente neste momento ecoa nos meus pensamentos uma música, sempre que escrevo, meu cérebro ajeita uma trilha sonora adequada. Para se adequar mais, uma em italiano. Um vampiro entenderia. Entenderia a música Così importante da Laura Pausini².

“(...) E você prometeu nunca me esquecer, lembra-te disto?(...)”

Acho que o tempo livre me faz pensar demais. Pensar, talvez, em coisas que não vem ao caso. Não mais. Engraçado como qualquer pessoa que lesse isto, me conhecendo, tiraria conclusões sobre os “seres místicos” da conversa. Mas nem tente fazer isso. Como diz o grande Gabriel Garcia Marquez: um coração tem mais quartos do que uma puta.

- Limites.

Falando em conclusões superficiais, incrível como cidades pequenas são LIMITADAS. Pior, me incluem nesta vidinha limitada que levam. Agradeço todo santo dia por meu pai ter me tirado daqui, há 12 anos. As pessoas passam tempo demais concentrando suas energias em desejar coisas negativas aos outros, ao invés de tentar usar esta energia como tentativa de melhorar a medíocre vidinha que leva.
E por favor, a minha TIA não é prefeita, não pra mim. Então ela será sempre minha tia. Se quiser reclamar da cidade, por favor, fale com ela. Porque se depender de mim, bom, vou pedir pra ela dar um curso de Educação moral e cívica e um de Comportamento. Quem sabe assim as pessoas não param de se intrometer no que não diz respeito à eles e mais, aprendem que o carro tem seta para se usar, e não pra enfeitar; que existe calçada para se andar, rua é lugar de carro.
Podem me chamar de metida, podem dizer que Goiânia é roça(claro, para pessoas LIMITADAS, que não sabem geografia), podem dizer que o que quiser, mas de uma coisa eu tenho certeza, eu não sou este tipinho que todos dizem. Eu não me apego ao verbo TER e sim, ao verbo SENTIR. Então, eu não vou comprar uma calça da Carmim de 700,00 em 16vezes só pra eu ter uma calça da Carmim. Eu vou pegar estes 700,00 e gastar no Show da Alanis, ou em uma viagem que me agrada. Não sirvo pra agradar os olhos de pessoas limitadas. Quero é agradar os meus!
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"(...) e de tudo fica um pouco.
oh abre os vidros de loção
e abafa o insuportável mau cheiro da memória."
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¹-Lua Nova – Stephanie Meyer
²-Così importante: “Dia após dia sinto o tempo escapando entre as minhas mãos e eutentando perseguir os meus pensamentos e desejos destes anos, às vezes amargos e sem princípios.
Os recordarei como se tivesse sido só um sonho viver somente daqueles momentos e não te procurar mais.Mas não é tão importante, só um momento de forte nostalgia.
Deslizando nos olhares entre as pessoas, eu caminho indiferente pela rua.
Culpa de um verão, de um perfume de uma noite, de um momento que não esqueço.
Guiados da vontade de sentir repentinamente mais próximos, tão próximos que agora é muito tarde pra pensar em esquecer e depois renascer e não te procurar mais.
Mas não sei o que é importante, se é me entregar ou não me entregar à você.
Daquele rosto impresso na mente, não saberia mas penso sempre nisso, sabe e não tem nada que me faça esquecer a lembrança de você, com um olhar melancólico e sonhador.
Onde está, diga me agora onde você está?
Em um instante retorno ao meu presente e gostaria que você estivesse ainda aqui.
Você que é tão importante,pode sentir o meu desejo de você.
Nos teus olhos vejo água transparente, como um rio comovente dentro de mim.”